Saude Espiritual, A 4º dimensão humana
A saude do Ser humano tem 4 dimensões, biopsicosocioespiritual, sendo a espiritualidade a 4. Esta dimensão constitui, interage, influencia a sua saude como as demais
quarta-feira, 4 de novembro de 2020
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Saúde Espiritual, a 4º Dimensão Humana
A conhecida definição de saúde da OMS é
o bem estar biopsicossocial, mas atualmente a ela foi acrescentada o espiritual,
reconhecendo-se como a sua quarta dimensão.
Para se ter saúde e manter-se saudável é
preciso se respeitar e satisfazer com equilíbrio as necessidades biopsicosocioespirituais
humanas.
Saúde espiritual é o cuidado da parte
espiritual da mesma maneira que cuidamos da dimensão física - com boa alimentação,
exercícios, relaxamentos, etc, e dentro desse caminho temos a religiosidade
como a prática desta espiritualidade.
A saúde espiritual é a manutenção de uma
razão, uma missão por estarmos vivos.
Para a tradição judaica a palavra saúde
tem o mesmo radical da palavra criação. Ter saúde é manter a criação, é
possibilitar as condições para que o ser humano seja recriado a cada momento (RABINO
BONDER).
A religião tem como função conectar o
ser humano com a fonte e a essência da sua vitalidade.
O homem, ao olhar à sua volta se vê; ao
olhar para baixo se localiza e ao olhar para cima busca respostas. A esta
necessidade pode-se atribuir o termo “crença” ou fome do transcendental, tal
como denomina Ravi Zacharias (zACHARIAS,
1997).
A crença religiosa constitui uma parte
importante da cultura, dos princípios e dos valores do ser humano. A
Religiosidade/Espiritualidade (R/E) faz parte da experiência humana através da
história, sendo uma dimensão importante da vida, o que justifica o seu estudo científico
e “a crença em um poder invisível e inteligente tem sido amplamente difundida
entre a raça humana, em todos os lugares e todas as épocas” (HUMES, 2005).
Praticamente as 1.154 sociedades, tanto
atuais quanto as que existiram no passado, sobre as quais os antropólogos tem
informações, apresentam um elemento em comum: as manifestações de
religiosidade. Pode-se considerar esta atitude de busca de algo para além do
imediatamente perceptível como um sinal da presença da religiosidade em cada
alma humana (CARLOS CONY, 1998).
A antropologia nos diz que “todas as
populações estudadas pelos antropólogos demonstram possuir um conjunto de
crenças em poderes sobrenaturais de alguma espécie” (MARCONI; PRESSOTO, 1985).
A partir desta concepção, de que as
pessoas possuem uma crença em poderes sobrenaturais, pode-se dizer então que
elas buscam por uma religião ou uma espiritualidade.
A literatura apresenta um número
considerável de definições sobre a R/E (XAVIER, 2006), (SILVA, 2008),
(MOREIRA-ALMEIDA e STROPPA, 2012). Contudo não existe uma postura consensual a
respeito do significado exato de cada termo. Pelo contrário, o que mais se
observa em diversos estudos é uma sobreposição de conceitos, uma considerável
dificuldade na definição e delimitação dessas terminologias (SILVA, 2008).
Aqui elegemos como referencial Koenig,
que define religião como:
“Um sistema
de crenças e práticas observado por uma comunidade, apoiado por rituais que
reconhecem, idolatram, comunicam-se com ou aproximam-se do sagrado, do Divino,
de Deus (em culturas ocidentais) ou da Verdade Absoluta, da Realidade ou do Nirvana
(em culturas orientais)” (KOENIG).
Em relação à espiritualidade entende-se
aqui, como “a sensibilidade ou ligação a valores religiosos ou coisas do
espírito em oposição a interesse material ou mundano”, definição segundo o
descritor (DeCS) da BVS (Biblioteca Virtual de Saúde).
Na definição de Koenig, temos a
Religiosidade como a atividade religiosa que pode ser Organizacional (envolve a participação em serviços religiosos em
grupo), Não Organizacional (aquela
realizada a sós e pode ser se comunicar com Deus, meditar, ler escritos
religiosos, assistir/ouvir mídia religiosa ou executar rituais privados) e Intrínseca, que se refere à busca de internalização e vivência plena da
religiosidade como principal objetivo do indivíduo.
Religiosidade e Saúde
A prática religiosa, mesmo em um mundo
dito secularizado, ainda é bem presente, variando, porém, de acordo com os
países. Nos EUA, por exemplo, 89% da população têm uma religião e 31%
frequentam serviços religiosos pelo menos uma vez por semana. Na Europa, a
média da população que frequenta serviços religiosos ficou em 31,6%, com grande
variação de país para país. Em um estudo com 35 países, pelo mundo, no qual não
fazem parte, Brasil, EUA e Europa, verificou-se que 87,8% dos entrevistados
referiram pertencer a uma denominação religiosa e 41,9% frequentam serviços
religiosos pelo menos uma vez por semana (MOREIRA-ALMEIDA , 2010).
Um dos países que se pode dizer que
ainda preserva a prática religiosa é o Brasil, colonizado pelos portugueses,
que construíram uma capela em cada local desbravado, resultando no imenso
número de igrejas espalhadas pelo país, que hoje possui não só igrejas
católicas, mas somando-se a elas, outro montante de templos de várias denominações.
Isto é possível ser constatado pelo
censo (IBGE, 2010) através do número de adeptos das principais religiões do
país (Tabela 1).
Tabela 1- Distribuição dos brasileiros por religião.
Brasil, 2010.
|
Religião |
Total |
Porcentagem |
|
Católicos
romanos |
123280172 |
64,62 |
|
Católicos
ortodoxos |
131571 |
0,068 |
|
Evangélicos
pentecostais |
25370484 |
13,29 |
|
Evangélico
de missão* |
7686827 |
4,02 |
|
Evangélicos
não determinados |
9218129 |
4,83 |
|
Espírita |
3848876 |
2,01 |
|
Outras
religiosidades |
5185065 |
2,71 |
|
Sem religião |
15335510 |
8,03 |
|
Religiões
afro |
588797 |
0,30 |
|
População
brasileira |
190775799 |
|
Fonte: IBGE, Brasil, 2010
*Evangélico de missão-
Batista, Adventista, Presbiteriano, Luterano, Metodista
Os católicos continuam sendo a maioria,
porém houve um crescimento da diversidade dos grupos religiosos, sendo que os
católicos passaram de 73,6% em 2000 para 64,6% em 2010; os evangélicos passaram
de 15,4% em 2000 para 22,2% em 2010, sendo que 60% se diz pentecostal; 18,5% de
missão; já os espíritas foram de 1,3% em 2000 para 2% em 2010; e nos que se
declararam sem religião houve uma variação de 7,3% em 2000 para 8% em 2010
(IBGE, 2010).
Em relação à faixa etária, os católicos
têm maior número em pessoas com mais de 40 anos, chegando a 75,2% no grupo de mais
de 80 anos, já os espíritas tem maior proporção entre 50 e 59 anos, nos
evangélicos os maiores percentuais foram verificados entre as crianças (25,8%
entre 5 e 9 anos) e adolescentes (25,4% entre 10 e14 anos) (IBGE, 2010).
Um estudo feito com uma amostra de 3.007
pessoas (2.346 adultos e 661 adolescentes) em 143 cidades, nas quais 95% têm
uma religião, 83% consideram a religião muito importante e 37% frequentam um
serviço religioso pelo menos uma vez por semana (MOREIRA-ALMEIDA et al., 2010).
Somando-se a afiliação religiosa
constatada no censo de 2010 à pesquisa anterior citada, se têm uma mostra que o
brasileiro não só faz parte de uma religião, mas também a considera muito
importante, e 37% a frequenta regularmente, características de religiosidade encontradas
na definição de Koenig, podendo então se inferir que o povo brasileiro é
religioso.
A religiosidade, como dito
anteriormente, faz parte e ainda está presente no homem pós-moderno. Conforme apontam
Stroppa e Moreira-Almeida (2008), ao mencionar que intelectuais e cientistas
previram que a religiosidade desapareceria ou decresceria ao longo do século
XX, mas o que se observou nas últimas décadas foi um aumento do interesse dos
cientistas pela religiosidade e um alto índice de pessoas que se consideram
religiosas ou espiritualizadas em todo mundo, principalmente nas Américas.
Essa religiosidade influencia as outras
dimensões do homem, construindo a sua saúde, uma vez que saúde atualmente é
entendida não só como dentro do bem estar biopsicossocial, mas também do
espiritual. O acréscimo do espiritual ganha espaço e significado à medida que a
OMS assume a incorporação da espiritualidade em documentos oficiais que visam
investigar os parâmetros da qualidade de vida, como é observado nos
instrumentos WHOQOL-Bref e o WHOQOL-SRPB (PANZINI, 2007).
É neste homem quadrimensional que a R/E
ganha força e vem em uma onda crescente de estudos querendo entender e avaliar
o seu poder de influência e interação com as demais dimensões humanas,
constituindo o que se chama de saúde holística, decorrente de uma visão
sistêmica, que tem como conceito “a perspectiva de que os seres humanos e
outros organismos funcionam como unidades completas e integradas e não um
agregado de partes separadas” (BVS, 2014).
Figura
1 – Desenho elaborado
como fruto de uma reflexão sobre Saúde Integral.

Fonte: Cres
(1996).
Nesta visão de homem holístico, é na
dimensão espiritual onde se desenvolve a
religião e a religiosidade. Em uma tentativa de entender um pouco mais este
homem espiritual é que vem crescendo os estudos nesta área.
Não será feito um histórico desta onda,
mas será mencionado apenas um exemplo da sua trajetória, mais especificamente
nos Estados Unidos, onde Levin (2001), epidemiologista social e membro do
National Institute for Healthcare Research no seu livro Deus, Fé e Saúde,
relata que em 1982 recebeu dois artigos para leitura de curso que abordavam
religiosidade e saúde. Surpreso com isso, faz sua pesquisa de fim de curso
sobre o tema, tendo encontrado 15 artigos, sendo um deles destacado um relato de
1978, em que mostrava que a frequência religiosa ajudava a melhorar os níveis
de pressão arterial (publicado no Journal of Behavioral Medicine).
Em 1987, no seu doutorado na
Universidade do Texas, Levin aborda novamente o assunto, e após levantamento
bibliográfico, encontra 200 artigos sobre o tema, percebendo aí uma tendência
que ele vem a chamar mais tarde de epidemiologia
da religião. Em 1990, ele participou de um estudo patrocinado pelo National
Institute of Health (NIH) sobre efeitos da prática religiosa e da
espiritualidade sobre a saúde (LEVIN, 2001).
Em 1996 foi criado um programa de
assistência a escolas de medicina que se interessassem em oferecer cursos de
religião e espiritualidade. Em 1997, o Journal of the American Medical Association
(JAMA) publicou o primero artigo sobre o tema, Religion and Spirituality in
Medicine: Research and Education (Levin,
2001).
Levin afirma que a epidemiologia é que
poderá dizer que o envolvimento religioso merece ser reconhecido como um dos
fatores significativos para promover a saúde e o bem estar entre muitos grupos
de pessoas (Levin, 2001).
Em um artigo mais recente sobre o
impacto das publicações em espiritualidade e saúde feita em 21/12/2009, em uma
busca com os termos religion and spirit,
Moreira-Almeida et al (2010) identificou 42.734 artigos no Pubmed e 63.116 no
Psycoinfo. Deste total, quase metade foi publicada nesta última década.
Essas evidências dadas confirmam uma
relação positiva e crescente no número de pesquisas feitas, relacionando a
Religiosidade/Espiritualidade e Saúde.
A seguir, será feito um breve relato das
principais pesquisas mencionadas pelo Dr. Harold Koenig (2012) que demonstram
esta relação positiva entre R/E e Saúde, já que ele representa provavelmente “o
mais importante pesquisador em religião e saúde da atualidade” e um dos autores
mais citados (escreveu mais de 40 livros, 300 artigos e 60 capítulos de livros)
(MOREIRA-ALMEIDA, 2007).
No seu livro Medicina, Religião e Saúde,
Koenig (2012) relata, do capítulo quatro ao nove, 267 pesquisas e revisões
(ocorre repetição de citações, dependendo do assunto) relacionando religião e
saúde. Dentro destas, foram escolhidas 28, tendo como critério uma
representação para dar um panorama geral desta relação positiva, mostrando em
que áreas e os seus respectivos achados. Entre eles encontrou-se que a
religiosidade melhora a satisfação com a vida, diminui o comportamento
delinquente, aumenta as células CD4, diminui o cortisol, diminui a interleucina,
aumenta a longevidade, apresenta menor índice de AVC e HA e aumenta a
probabilidade de fazer exercícios. O panorama completo está no quadro abaixo:
Quadro 1
– Distribuição dos estudos associando religiosidade/espiritualidade e saúde
Fonte: Koenig (2008).
No Brasil, existem várias pesquisas na
área de R/E, porém com algumas dificuldades e limitações neste campo. Uma delas
é o não conhecimento delas no exterior, e outra, por exemplo, é a ausência de
uma revisão abrangente da literatura sobre espiritualidade e saúde, em
português, que seja facilmente acessível a estes pesquisadores e clínicos (MOREIRA-ALMEIDA, 2007).
Com o foco à religiosidade, fez-se uma
busca para se conhecer os trabalhos entre religiosidade e saúde e como este
conhecimento vem sendo empregado no Brasil. Para tal finalidade foi feita uma
pesquisa no Scielo no dia 21/05/2014, usando os descritores saúde e
religiosidade. Foram encontradas 84 referências, usando filtro para “Brasil”.
Dentre os artigos encontrados, foi feita
uma primeira seleção após leitura dos resumos, e uma segunda seleção após a
leitura dos artigos, restando 13 artigos que apresentaram a religiosidade como
tema de pesquisa. Nos artigos apresentados sobre Religiosidade e Saúde no
Brasil, sobre o que está sendo pesquisado e a importância do estudo da relação
saúde e religião no país, observa-se que o estudo da religiosidade no Brasil
vai pelo caminho da saúde mental e a religião é o apoio do brasileiro para
enfrentamento de situações estressantes.
Religiosidade e estilo de vida
Segundo os descritores da BVS (BVS,
2014), estilo de vida significa “o modo típico de viver que caracteriza um indivíduo
ou grupo”, tem como sinônimo ‘comportamentos saudáveis’, cujo significado é
“comportamentos através dos quais os indivíduos protegem, mantém e promovem o
próprio estado de saúde”.
Manter o estilo de vida saudável é
tentar, dentro das possibilidades, preservar a natureza física, psíquica,
social e como foi visto até aqui, também a espiritual. O corpo obedece a leis e
necessidades específicas, podendo se adaptar, porém isto acarreta algumas
consequências: é a chamada ecologia na saúde (SANTOS, 1996).
Pode-se dizer que ninguém é totalmente
saudável, ou seja, tem o grau máximo de saúde como a definição da OMS se
refere, a um bem estar total. Mas, se é utópico, norteia-se como um caminho a
ser percorrido.
Um dos caminhos então, para aumentar a
saúde e diminuir as doenças é através do estilo de vida saudável. Pode-se dizer
que em relação à saúde, o estilo de vida é formado por hábitos que podem ser
bons ou prejudiciais, surge aí então o que Koenig (2012) chama de
comportamentos positivos de saúde e comportamentos negativos de saúde.
Informar, orientar e incentivar a prática destes comportamentos positivos é o
eixo da educação em saúde a fim de alcançar um estilo de vida mais saudável.
Esta prática de comportamento positivo
de saúde tem se mostrado como responsável por uma maior longevidade, uma maior
higidez e, no caso de adoecimento, uma melhor recuperação da saúde, isto
“devido a constatação de que boa parte das doenças, e também das mortes
prematuras ocorridas no mundo, apresentam uma estreita associação do modo como
as pessoas vivem” (LOCH, 2006), e o impacto dos hábitos pessoais e estilo de
vida na saúde das pessoas vem sendo documentado na literatura (científica), sendo
um dos campos de estudo no momento (BRITO; GORDIA; QUADROS, 2014).
Hoje em dia, já é até de conhecimento
popular, altamente divulgado pela mídia, que uma alimentação mais natural,
exercícios, e a abstinência no uso de fumo, álcool e drogas está diretamente
ligada a um grau maior de saúde e, portanto, uma diminuição de doenças,
principalmente as doenças crônico degenerativas.
Comportamentos que estimulem a saúde
terão, como consequência no corpo humano, a diminuição de doenças. Podemos
pensar em uma escala na qual, quanto mais caminhamos na direção em aumentar o
grau de saúde, mais diminuímos o grau da doença, como se fosse possível colocar
cada hábito saudável como degrau da escala. Neste gradiente, o zero no campo saúde
seria a morte e o coeficiente cem o completo bem estar, infelizmente não existente.
Gradiente
de saúde
0
100
---------------------------------------------------------------------------- =>
saúde
----------------------------------------------------------------------------- => doença
100 0
Fonte: Cres
(2002)
O estilo de vida é uma face da saúde
pois esta é, como já dito anteriormente, bastante ampla, envolvendo muitos
aspectos, inclusive o de religiosidade.
Ele pode ser definido também como um
conjunto de ações habituais [hábitos] que refletem as atitudes, os valores e as
oportunidades na vida das pessoas (NAHAS; BARROS; FRANCALACCI, 2000). Se os
hábitos refletem os valores e escolhas, podem então estar associados aos
aspectos da religião.
A religiosidade tem sido apontada em
algumas pesquisas como um fator de orientação, otimização, associação e
predisposição em relação a alguns hábitos que fazem parte de um estilo de vida
saudável.
A seguir, serão apresentadas algumas
destas relações. A preferência pelos trabalhos com pesquisas no Brasil, foi a
possível comparação com o presente estudo.
Tem-se assim os seguintes tópicos:
Família
e amigos – Paula,
Nascimento e Rocha (2009), ao comentarem o achado em estudo feito em um
hospital paulista afirmam que a instituição religiosa tende a envolver seus
adeptos, de forma a facilitar o compartilhar das experiências entre os seus
membros, o que facilita o apoio social encontrado entre família e amigos.
Atividade
Física – Segundo um
estudo feito em Santa Catarina com adolescentes escolares foi observado que a
participação em grupo de jovens (religioso), os que não participavam tinham
risco 37% maior de serem inativos no lazer. Em relação aos rapazes, quanto a
não praticar nenhum tipo de atividade física no tempo livre, verificou-se que
os de maior frequência religiosa, a inatividade foi 17,8%; dos menos frequentes
22,5% e dos sem religião 34,9% (LOCH, 2006).
Nutrição – Muitos trabalhos foram escritos sobre
o hábito alimentar estimulado pelos adventistas, que orienta seus adeptos a uma
dieta mais natural, com restrições de cafeína e o uso do vegetarianismo. Em um
trabalho em São Paulo com adventistas pode ser observado que a alimentação
vegetariana tem um efeito protetor para a Hipertensão Arterial (SILVA et al.,
2012).
Drogas – Um estudo no Rio Grande do Sul, de
oficinas de espiritualidade para dependente químico, conclui que “é possível
argumentar que a espiritualidade constitui uma dimensão essencial do
tratamento, pelo seu poder agregador, animador e dinamizador de vida e
esperança, bem como pelo seu poder de integrar e religar todas as coisas”
(BACKES et al., 2012).
Álcool
– A prática religiosa e
afiliação mostraram ter um efeito de proteção ao alcoolismo num estudo em
Pernambuco (BEZERRA et al., 2009).
Sexo
seguro – Um trabalho
paulista que entrevistou oito autoridades religiosas e 18 jovens, mostra que
“os entrevistados não se envergonham da sua sexualidade, pois concebem-na como
divinizada se orientada pela moral que valorizam, compartilham e
ressignificam”, ou seja, são guiados pelos valores religiosos. Há uma maior
conscientização entre os religiosos sobre os seus valores em relação ao sexo; o
que pode ser um fator de proteção. Percebe-se uma variação entre as religiões e
os evangélicos pentecostais manifestaram uma menor abertura a experiências
sexuais fora do casamento (SILVA et al., 2008).
Estresse – O estresse faz parte da vida atual,
podendo ser abordado em várias populações. Num estudo sobre estudantes de
medicina da UESC- Santa Catarina, uma das estratégias citadas para o
enfrentamento de estresse destes estudantes foi a religiosidade. O referido
artigo menciona também que o mesmo ocorre com os estudantes em outras pesquisas
fora do Brasil (ZONTA; ROBLES; GROSSEMAN, 2006).
Saúde
Mental – Jovens, entre
18 e 24 anos de Pelotas (RS), “que relataram praticar sua religiosidade,
mostraram maior chance de satisfação com a vida quando comparado com os que
declararam pouca frequência ou nenhuma religiosidade” (SOUZA et al., 2012).
Trabalho
– Em pesquisa com
professores universitários, se verificou que os praticantes de uma religião em
relação aos não praticantes, apresentaram menos desconfiança com o próprio desempenho,
bem como menos distúrbios de sono (ROCHA; SARRIERA, 2006).
Como pode ser visto
nestas pesquisas no Brasil, existe uma associação entre religiosidade e estilo
de vida saudável.
A religiosidade está presente na vida do
brasileiro, podendo influenciar a sua saúde em vários aspectos, seja no estilo
de vida saudável, na qualidade de vida ou enfrentamento das doenças. Esse é um
fato reconhecido pelos profissionais de saúde e comprovado pelo crescente
número de artigos publicados.
Para estes mesmos profissionais de saúde
que tem o desafio de entender cada vez mais o ser humano e para que a sua
intervenção/orientação seja eficiente, faz-se necessário um conhecimento maior
na área de R/E e sua relação com a doença, com a saúde e como usar a religiosidade
como um facilitador de mudanças, incentivando um estilo de vida que melhore a
saúde.
Apesar do aumento de estudos na área,
que ainda estão no início, existem muitas perguntas sobre a relação R/E e saúde,
por exemplo: como influencia, em que grau, quando, em que aspecto e em que
população.
Como é essa religiosidade que está
presente na população brasileira e em que aspectos ela se associa ao estilo de
vida deste homem brasileiro?
Melhorando
a saúde total pela dimensão espiritual
Há duas formas de melhorar a nossa saúde
total: a primeira é entendendo a sua cosmovisão, que é a lente pelo qual cada
indivíduo enxerga o mundo e consequentemente a sua saúde, o porquê ser saudável
e a importância da sua vida.
É pelas lentes da cosmovisão que
recebemos as informações e tudo que está à nossa volta, quando então
processamos, incorporamos, excluímos e testamos o que entrou pelos nossos 5
sentidos.
Se sou um terapeuta tenho que entender a
cosmovisão do atendido para que o tratamento sugerido tenha eficácia. Mesclar a
conduta terapêutica a essa cosmovisão e se apropriar dos aspectos positivos vão
potencializar a sua cura ou promoção da sua saúde.
Pare, olhe, escute o ser humano que está
a sua frente, entendendo a sua cosmovisão e a sua doença, que muitas vezes é
até o reflexo dela e de suas inquietações pessoais e espirituais.
A partir daí, então, é possível traçar
conjuntamente um plano terapêutico, que vai efetivamente ter aderência,
eficácia e abrangência.
Se você não é terapeuta mas quer
aumentar o seu grau de saúde, pare e estude qual a sua cosmovisão que está
ligada à sua espiritualidade. Negar a espiritualidade também é, de alguma
forma, assumir que ela existe e precisa
ser negada e o não aceitá-la, é a sua cosmovisão.
Se somos ou temos 4 dimensões, é
necessário haver uma harmonia, troca e integração entre as partes e a percepção
de onde elas precisam ser vistas e cuidadas igualmente, para se ter uma saúde
integral e equilibrada.
Como por exemplo ao adotar um estilo de
vida fitness, ou mais ligado à academia,
em que a dimensão física é o que conta em detrimento do resto, pode
acontecer desta saúde física mover as demais positivamente, uma parte mais
forte segurar as demais, mas isto sempre tem uma consequência.
Se uma parte está doente, fraca ou
atrofiada, isso irá afetar o todo, ou seja, o grau da nossa saúde.
A dimensão espiritual não é inexistente,
uma vez que como vimos anteriormente a história e a antropologia demonstram que
ela sempre existiu e de alguma forma foi abastecida. O que surge, então, é a
atrofia ou desvirtuamento, a procura de um propósito de vida que não esteja
ligado à espiritualidade, como a dedicação, o desejo e a entrega exacerbada a um
esporte, um artista idolatrado, um costume e a mais atualmente vivenciada pelos
mais jovens: uma idolatria do trabalho, como fonte de toda dádiva, prazer e propósito,
um enaltecimento do workaholic, com dedicação de 24 horas/7 dias na semana. Tal
comportamento, como uma fonte não natural mas uma atrofia espiritual, acaba
gerando doenças como depressão e ansiedade, uma vez que não possui poder
espiritual para abastecer suas almas, chegando ao esgotamento do indivíduo, podendo leva-lo até a distúrbios psíquicos mais
crônicos como o Burnout.
A área da saúde por muito tempo enxergou
apenas o físico. Surge então o psicológico, e, com isso, tudo era neura e
emoção. Após, temos então, a noção do tudo pelo social, onde ao melhorarmos o
social teremos mais saúde, o que se mostrou inviável, pois não se consegue
mudar o social todo, como também isto não traz mais saúde integral para o ser
(a pessoa), pois ele, enquanto unidade individual, não era visto com tanta importância
assim. E eu pergunto: que visão de saúde é esta? Só teremos sociedade melhor quando
os indivíduos forem melhor vistos dentro das suas necessidades e respeitando o individual.
Chegamos então à visão global do ser
humano nas suas 4 dimensões: física, psicológica, social e espiritual, para não
termos uma saúde capenga, hipertrofiada em um lado e/ou esquecida ou atrofiada
do outro.
Como vai a sua espiritualidade? Qual é a
sua cosmovisão? Como isso tem influenciado e direcionado a sua saúde e vida,
afetando a sua vitalidade?
A segunda forma de aumentar o grau de
saúde desenvolvendo a sua parte espiritual é entendendo que, assim como a sua
saúde física precisa de bons alimentos, de exercícios, repouso, sol, ar e água,
vital para a vida, a espiritual também necessita de cuidados.
A prática da espiritualidade, como já
foi dita, é o que chamamos de religiosidade, quando procuramos um estilo de
vida saudável, em que está englobado o espiritual, faz parte na prática deste
estilo de vida, os hábitos da religiosidade.
Um estilo de vida saudável é criado a
partir da formação de hábitos saudáveis, hábitos de espiritualidade e
religiosidade, visto aqui, o como se manifesta essa dimensão em cada ser humano,
essa crença em algo maior ou a necessidade de fé e apego em algo que lhe dê
sentido de viver, propósito.
Fazendo uma analogia temos que é
necessário alimentar essa dimensão com boas leituras, boas músicas, como um
exercício.
É necessário o repouso da alma, a paz e
receber a luz e o calor de uma fonte inesgotável, segura, amorosa, vivificante
como o sol. É necessário se respirar a fé, e ter a sua sede saciada pela
oração, meditação e comunhão.
A dimensão espiritual irá interagir com
as outras dimensões fazendo com que secretemos mais hormônios e químicas do bem
em nós, afetando a mente e as emoções e claro melhorando o nosso social e a
interação com nosso entorno, seja entendendo mais as pessoas, porque entendemos
nós mesmos, aceitando as falhas, porque vemos as nossas, oferecendo atenção e
carinho porque temos e sentimos que também precisamos muito, cuidando da vida e
dando a mão a quem precisa, porque assim fazia o nosso Mestre.
Conclusão
A saúde espiritual afeta todas as demais
e recebe a influência das outras dimensões. Somos um todo de 4 partes em
sinergismo, de importância igualitária e precisamos nos conscientizar, buscar e
realizar esta prática, tendo como objetivo uma saúde integral, alcançando mais
vitalidade e não sermos um sistema onde se predomina a entropia que encaminha
para a degeneração e destruição.
Vitalidade é ser o melhor que eu posso,
com o que eu tenho, onde eu estou, a cada momento, aumentando o meu grau de higidez,
a fim de minimizar as agressões microbianas, antinaturais, afetivas,
econômicas, ambientais e as maléficas.
Mais vitalidade para viver e sentir a vida
na sua plenitude.